terça-feira, 20 de julho de 2010

ÍNDIO DA COSTA NÃO MENTIU
- A dessacralização da esquerda no Brasil da “era lula” é uma ousadia quase heróica –


O que o deputado Índio da Costa do DEM do Rio de Janeiro e candidato a Vice na chapa de Serra disse não é novidade. Todo mundo sabe; está nos anais da imprensa, que representantes das “FARC” têm “status” de refugiados no Brasil (concedidos no Governo Lula); que várias vezes o assessor especial da Presidência da República e petista de alto coturno, Marco Aurélio Garcia (aquela que comemorou uma derrota da oposição com o gesto pouco cavalheiresco, conhecido como “top-top”) afirmou que era natural que o governo tratasse com membros das “FARC” como forma de gestão em prol da paz na Colômbia.

Os petistas sempre trataram os narcoguerrilheiros como insurgentes dignos, revolucionários e assim, quase os reverenciam. No entanto, sabem que “não fica bem na fita” mostrar intimidade com narcoguerrilheiros, com vândalos do “MST”, etc. Isto não ajuda a montar a imagem que foi tão preciosa do “lulinha-paz-e-amor” de 2002.

Os tempos mudaram e a oposição está rouca de dizer que a ex-ministra candidata não é Lula. Os petistas começam a se dar conta disto.

A candidata Dilma veste fácil o figurino de “esquerda à moda antiga”, dogmática, com ilações filocubanas, chavistas e quem sabe?... afetuosas simpatias com as “FARC”.

O deputado Índio da Costa apenas respondeu duro às ironias pouco criativas da candidata Dilma, proferidas em um comício de um simples milhar de pessoas.

A partir daí, já disseram de tudo do jovem candidato. A esquerda orgânica se julga sagrada (e isto não é força de expressão). O maquiavelismo leninista, para eles, é dogma. Praticamente tudo vale para a consecução do poder em nome de uma suposta “revolução”, de um idealizado “socialismo”. Lênin afirmava que a democracia é um ótimo regime para se chegar ao poder, sem descartar a insurreição (é claro). E assim fez. Apoiou Kerensky e a Duma na derrubada do Czar Nicolau II, mas, não hesitou em outubro. Mergulhou a Rússia numa dilacerante guerra civil, que deu no que deu...

Quando da crise do “mensalão” em 2005, uma das chantagens políticas da esquerda no poder, foi ameaçar colocar nas ruas os chamados “movimentos sociais”, em especial, os “sem terra” e assemelhados. Lições do velho Lênin. Com certeza.

Portanto, questionar ou denunciar amizades ou alianças escusas é sacrilégio para aqueles que se acham os escolhidos por defenderem idéias classistas e revolucionaristas. Estes senhores, quando fora do poder, são eméritos iconoclastas; combatentes impiedosos de tudo que consideram ou nomeiam como “tralha burguesa”.

Assim, atitudes como a do deputado candidato Índio da Costa merecem reconhecimento pelo atrevimento saudável, democrático de dizer e apontar que “o rei está nu”, quando virou moda, até da oposição, se omitir e não bater de frente no governo, intimidados pelos 75% de popularidade da “era lula”.

Enfim, Índio da Costa não mentiu. E mereceria nestes tempos bicudos de tantas cautelas pragmáticas, uma comenda de mérito pelo atrevimento em defenestrar o “sacrossanto” vestíbulo da esquerda canonizada desta messiânica “era lula”.

Casa Forte, 20/07/2010
Marcelo Cavalcanti
(81) 92482399 - cavalcantimarcelo1948@hotmail.com

Post Scriptum: enquanto finalizava este “post” chegava a notícia de que o PT de alagoas entrou na justiça com pedido para proibir o “jingle’ da campanha de Collor em que ele diz que tem o apoio de Dilma e Lula. A verdade é que estão juntos mesmo e isto mancha, enlameia a aura de pureza predestinada da esquerda petista. Comportam-se como o marido traído da anedota, que flagrando a sua consorte em cena de adultério, opta por mandar queimar o sofá como solução.

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