domingo, 23 de outubro de 2011

TERMOELÉTRICA, SALVAÇÃO OU PERDIÇÃO



O anúncio de construção da maior usina termoelétrica do mundo em Suape vem provocando reações opostas. Enquanto o governo e setores empresariais ligados à produção de energia elogiam o projeto, cientistas renomados e políticos com preocupação ambiental fazem críticas e protestam, denunciando a previsão de pesados danos ao meio ambiente, com repercussão global, devido à emissão de grande volume de gás carbônico.

De fato, o papel efetivo de uma usina deste porte é a prevenção e atenuação de apagões, de substituição de quedas de produção do sistema hidroelétrico e em caso de falência parcial das outras fontes energéticas. Os riscos, no entanto, são imensos, inclusive, de acidentes com consequências sérias para a região. Contudo, a termoelétrica é simpática à população imigrante que atopeta a área do Cabo, Ipojuca, Moreno e até Jaboatão. Eles querem postos de trabalho a qualquer custo. No reino da necessidade (essa, os marxistas vão ter que engolir), a consciência fica circunscrita à bolsa, seja ela estomacal ou de pecúnia. As prefeituras olham para o aumento de arrecadação e aquecimento de atividade econômica. Esquecem os custos com o investimento em infraestrutura urbana, saúde pública, educação e assistência social, com uma população que cresce em progressão quase aritmética. Prefeitos e vereadores, querem votos e peso político; querem orçamento gordo e verbas compensatórias.

A preocupação ambiental em nossos municípios lembra a discussão ocorrida em cidades americanas do “middle West” nos anos cinquenta e sessenta do século passado, quando enfiaram de goela abaixo usinas nucleares, instalações industriais sujas e fizeram as novas gerações dessas comunidades pagarem muito caro pela atitude permissiva de admitir tais “inovações” em seus territórios.

Pois é, não se trata apenas de queimar centenas de milhares de litros de óleo combustível e corromper o bom ar dos campos e balneários circunvizinhos, hoje em extinção, mas, também, das consequências sociais, urbanas e estruturais. O discurso pró termoelétrica é recheado de argumentos desenvolvimentistas de meio século atrás.

O mundo andou, tomou consciência da miopia desastrosa do progresso a qualquer preço. Neste sentido, o deputado Betinho Gomes, que é cabense de nascimento e criação, cerra o semblante e se diz muito preocupado com o futuro da qualidade de vida e da saúde ambiental da região, diante desta “caixa preta” em forma de usina, que está em construção.

No ritmo tresloucado de crescimento industrial sem critérios do grande Complexo de Suape, em breve, as breve as reservas naturais, a abundância de recursos hídricos, a beleza turística, etc., do litoral sul do estado, serão recordações do passado.

E não nos iludamos. Tudo isto se refletirá na Região Metropolitana, que receberá os excedentes de mão de obra, os excluídos desta “febre do ouro”, que vão abarrancar ainda mais nossas periferias e até nossas calçadas, já tão sujas e, frequentemente, ocupadas por hordas de desvalidos, famélicos e doentes, perante os quais, o poder público faz cara de paisagem.

EM TEMPO: à sombra dos gigantes da economia nacional envolvidos neste empreendimento, que tem forte peso estruturador, agentes locais, públicos e privados, têm aguçado o apetite bulímico pelas benesses, diretas e indiretas, advindas desta empreitada, com toda sagacidade que a audácia lhes permite. Todavia, urge impedir que a Suape de amanhã seja a Cubatão dos anos oitenta.

Casa Forte, 24 de outubro de 2011
MarceloCavalcanti
(81)93195627 - cavalcantimarcelo1948@hotmail.com
http://www.politicamenteatrevido.blogspot.com/


Um blog pela liberdade, pela democracia e pela saúde ambiental como consciência humanística inalienável.






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